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28ago
publicado às 17:44

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Senador e cientista político discutem fuga de senador boliviano ao Brasil

Globo News | “Entre Aspas”

Ricardo Ferraço afirma que Saboia gerenciou uma situação injustificável. Já o cientista político Ricardo Sennes diz que o ato foi uma indisciplina

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O enredo é de filme de espionagem, e a crise é a maior da diplomacia brasileira no governo Dilma Rousseff. Depois de 15 meses asilado na Embaixada do Brasil em La Paz, o senador boliviano Roger Pinto Molina empreendeu uma fuga surpreendente para o Brasil.

A operação foi organizada por Eduardo Saboia, encarregado de negócios no Brasil no país vizinho. Ele usou um carro da representação diplomática para – em segredo – transportar o senador da capital até a cidade de Corumbá, no Mato Grosso do Sul. De lá, Molina seguiu para Brasília em um avião providenciado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço.

A fuga pegou o governo brasileiro de surpresa, irritou a presidente Dilma e provocou a queda do ministro Antonio Patriota. Na raiz da crise está a recusa do presidente boliviano, Evo Morales, em conceder salvo conduto para o senador oposicionista deixar o país.

Ao justificar a fuga, o diplomata Saboia disse que o senador boliviano vivia praticamente em cárcere privado, e que ele se sentia um agente do Doi-Codi. A menção ao órgão de repressão da ditadura irritou ainda mais a presidente Dilma Rousseff, que disse: “A embaixada é tão distante do Doi-Codi como o céu do inferno”.

Segundo o senador Ricardo Ferraço, que conseguiu o avião para o senador boliviano ir de Corumbá a Brasília, o diplomata estava gerenciando uma situação injustificável. “Mais de 450 dias em um asilo político concedido pelo governo brasileiro, não sendo respeitado pelo governo boliviano. A consequência natural deveria ser o salvo-conduto, mas ele não era dado. A estratégia do governo boliviano era produzir um ambiente para que o senador ficasse confinado no escritório do consulado, em uma condição improvisada. Muito mais que um diplomata, Eduardo Saboia foi um ser humano que tomou sua decisão em circunstâncias irrestritas. Eu acho que ele agiu em conformidade com o que consagra a Constituição Federal, que prescreve que, nas relações internacionais, a prevalência é pelos direitos humanos”, afirma.

O cientista político Ricardo Sennes afirma que não há dúvidas que o ato foi uma indisciplina do diplomata. “Ele é um funcionário, tem um lado humano e direito de tomar opções. A gente pode julgar ele do ponto de vista humano. Ele tomou a decisão dele e sabia os riscos. Do ponto de vista da diplomacia, da função que ele estava exercendo lá, foi uma quebra de hierarquia. Ele não poderia ter tomado essa decisão, ainda mais fazendo uma estratégia que implicava na relação do Brasil com a Bolívia”, ressalta.

Ferraço lembra que o diplomata poderia ser acusado de prevaricação porque a saúde do senador Molina estava se deteriorando. “Ele estava em depressão, falando em suicídio. Imagina se esse senador morre no consulado boliviano? Saboia seria acusado de ser omisso. Eu acho que a omissão é o pior dos pecados, a mãe deles todos. O que ele fez foi tomar uma atitude em vista da ausência de atitude do governo brasileiro, que não tem se feito respeitar”, diz o senador.

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